D
dacito - rocha
magmática expressiva equivalente ao granodiorito. Contém
plagioclásio, quartzo, ortoclásio ou sanidina, e em menor
quantidade, piroxênio, anfibólio ou biotita.
Danúbio - Estádio glacial pleistocênico dos
Alpes (Europa) anterior à glaciação Günz e subseqüente à Biber. O nome provém da
região de Danúbio, onde foi caracterizada. A sua duração estimada, segundo
Lincol et al. (1982), seria de cerca de 260.000 anos.
datação por radiocarbono - Determinação de
idade de materiais que contém carbono (concha, madeira, carvão, etc) pela medida
da proporção de radiocarbono (14C). O método tem comumente um alcance
máximo de cerca de 30.000 anos e, portanto, permite datar somente os últimos
eventos do Quaternário, sendo empregado em pesquisas arqueológicas e de geologia
do Quaternário Recente. A idade ao radiocarbono é referida ao ano de 1950, sendo
representada do seguinte modo: 6.000 ± 150 anos A.P. Alguns laboratórios
dispõem de meios para concentração prévia do 14C, o que permite obter
idades de cerca de 70.000 anos.
datação radiométrica - Determinação de idade
de amostras geológicas, em número de anos por um dos vários métodos baseados na
velocidade de desintegração de elementos químicos radioativos contidos nesses
materiais.
DBO - demanda bioquímica de oxigênio.
decantação - mesmo que sedimentação.
declive - inclinação de terreno formando ladeira ou descida. Sin.: vertente.
declividade - qualidade do terreno em termos de inclinações das vertentes.
décollement (F) - diz-se
do fenômeno de descolamento de corpos rochosos ou da superfície de
baixo ângulo sobre a qual deslizam pacotes de rochas normalmente
submetidos a estilos de deformação distintos das rochas subjacentes. O
termo foi inicialmente aplicado à
tectônica compressional, para situações de
empurrão, cavalgamento ou nappes, mas também há
referência de seu uso em
zonas distensionais, como sinônimo de termo inglês detachment. (1).
decomposição - tipo de intemperismo causado por agentes químicos. Sin.: intemperismo químico.
decomposição
esferoidal formação de cascas ou escamas concêntricas, por atuação do
intemperismo, podendo ou não restar porções de rocha não alterada no
centro. Feição de alteração comum em rochas basálticas, constituindo os
blocos denominados popularmente por
"pedra capote".
deflação - processo
de remoção e transporte de sedimentos finos
através da ação do vento, resultando na
formação de depressões em
regiões desérticas. Vide erosão eólica.
deflexão - mudança
abrupta na direção de uma determinada
feição geológica, em geral obedecendo a um
condicionamento (herança)
tectônico. (1). I: Deflection.
deflexão compressional - em
zonas transcorrentes, corresponde ao encurvamento no traço do plano de
falha que dificulta o movimento entre os blocos, criando situação local
de transpressão, com encurtamento e soerguimento crustais associados.
Sin.: Deflexão convergente,
deflexão restritiva. (1). I: Restraining Bend, Convergent Bend.
deflexão distensional - em
zonas transcorrentes, corresponde ao encurvamento no traço do plano de
falha que favorece o movimento dos blocos adjacentes, dando origem a
sítios de transtensão e. eventualmente, a grábens rômbicos. Sin.:
Deflexão divergente. (1). I:
Releasing Bend, Divergent Bend.
deformação - a)
termo genérico para os processos de dobramento, falhamento,
cisalhamento, contração ou dilatação das
rochas, como
resultado da atuação de esforços na Terra; b)
mudança na forma e no volume de um corpo como resultado de um
esforço
atuante sobre o mesmo. (1). I: Deformation,Strain.
deformação de rocha - qualquer
modificação na forma ou volume original de maciços rochosos produzido
por esforços tectônicos, onde dobramentos, falhamentos e fluxos
plásticos são meios comuns de deformação.
deformação elástica - deformação
proporcional à tensão e reversível. O corpo
readquire sua conformação original após a retirada
dos esforços.
deformação plástica - deformação permanente não envolvendo ruptura.
degradação - Rebaixamento da superfície de um
terreno por processos erosivos, especialmente pela remoção de materiais através
da erosão e transporte por água corrente, em contraposição à
agradação.
delaminação - fenômeno
de desacoplamento entre a crosta e o manto superior ou entre a crosta
superior e a inferior, característico de zonas de colisão de placas
continentais. (1). I: Delamination.
delta - Depósito sedimentar aluvial formado
por um curso fluvial desembocando em um corpo de água mais ou menos calmo (lago,
laguna, mar, oceano ou outro rio), cuja porção subaérea apresenta-se em planta
com formas triangular, lobada, digitada, etc.
delta de baía - Delta formado na foz de um rio
que desemboca em uma baía ou vale afogado, preenchendo-o parcial ou totalmente
com sedimentos. Sinônimo: delta de cabeceira de baía.
delta construtivo - Delta originado pela
predominância de processos fluviais sobre as atividades dinâmicas do meio
receptor. Quando este meio é marinho, os processos dinâmicos costeiros estão
ligados principalmente às marés e ondas. O delta atual do Rio Mississipi é um
exemplo deste tipo de delta. Sinônimo: delta fluvial.
delta construtivo alongado - Delta formado por
crescimento das barras de desembocadura, acompanhadas de diques marginais,
resultando em um padrão também conhecido por pé-de-pássaro na sua porção
emersa. Este tipo de delta é formado somente se houver predominância de
processos fluviais sobre os marinhos, isto é são essencialmente construtivos.
Exemplo: delta atual do Rio Mississipi.
delta construtivo lobado - Delta formado pelo
crescimento mais moderado do que no tipo alongado de barras de desembocadura,
acompanhadas ainda de diques marginais. Este tipo de delta também formado pela
predominância de processos fluviais sobre os marinhos, porém com maior
participação das ondas e correntes no afeiçoamento costeiro do que no tipo
alongado.
delta destrutivo - Delta formado pela
predominância de processos de dinâmica costeira (ondas e marés) sobre os
processos fluviais. Então, neste caso, tem-se segundo Scott & Fisher (1969)
os deltas dominados por ondas (ou deltas cuspidados) e os
deltas dominados por marés (ou deltas franjados).
delta dominado por marés - Delta caracterizado
por inúmeras barras de marés, que se dispõem longitudinalmente ao fluxo
fluvial, sendo característico de costas dominadas por
macromarés.
delta dominado por ondas - Delta de forma
triangular originado preferencialmente em locais com forte atuação das ondas e
correntes litorâneas. Os sedimentos são essencialmente arenosos e apresentam-se
na forma de cristas de praiais . Exemplo: porção formada de 2500 anos até
hoje em torno das desembocaduras fluviais dos rios Doce (ES) e Paraíba do Sul
(RJ). outro exemplo é o delta do Rio Nilo.
delta escalonado - Uma série de deltas
construída em um corpo aquoso, cujo nível esteve alternadamente estacionário e
em abaixamento, neste caso, o delta do nível mais alto seria o mais
antigo.
delta estuarino - Designação usada para
depósitos deltaicos subaquosos e subaéreos acumulados no interior de um ambiente
semi-confinado e protegido de um estuário. Segundo Wright (1982), seria possível
distinguir duas variedades de deltas estuarinos: a primeira, preenchendo parcial
ou totalmente estuários em forma de funil com saída aberta, e a Segunda em que a
sedimentação ocorreria no interior de estuários rasos abrigados por detrás de
barreiras arenosas.
delta fluvial - Veja delta
construtivo.
delta intralagunar - Delta construtivo
formado, no interior de uma laguna costeira. No Estado de Santa Catarina, o Rio
Tubarão está construindo um delta intralagunar, que hoje em dia está
parcialmente ocupada pela cidade de Tubarão. Os deltas intralagunares
caracterizam também as fases de níveis marinhos mais altos do que o atual,
durante o s últimos 6.000 a 7.000 anos, das planícies costeiras associadas às
desembocaduras dos rios Doce (ES) e Paraíba do Sul (RJ), segundo Suguio et al.
(1982) e Martin et al. (1984a), respectivamente.
delta lacustre - Delta construtivo formado na
desembocadura fluvial em um lago, de estrutura relativamente simples, descrito
pela primeira vez por Gilbert (1890). Por esta razão, este delta é também
conhecido como delta tipo Gilbert. Apresenta as camadas de topo com
características essencialmente fluviais, as camadas frontais com características
mistas (flúvio lacustres) e as camadas basais com características
lacustres. Deltas deste tipo são freqüentes em áreas de glaciações quaternárias,
como no Canadá.
delta negativo - Feição deltaica que por
circunstâncias locais tais como contracorrentes, desenvolve-se aparentemente em
sentido contrário ao normal.
delta oceânico- Feição deltaica que se
desenvolve em regiões litorâneas de oceanos, isto é, em volta de desembocaduras
de rios que despejam as suas águas diretamente nos oceanos.
deltas de marés - Deltas formados no lado do
oceano aberto e no interior de laguna, de um braço de maré, que corta uma
ilha barreira ou barra de boca de baía ou por correntes de maré,
que transportam areias para dentro durante a maré enchente e para fora durante a
maré vazante de uma laguna.
densidade dos grãos - relação
entre o peso de um certo volume de grãos de um solo, e o peso de igual
volume de água destilada, nas mesmas condições de temperatura.
denudação - no
sentido lato inclui todos os fenômenos de intemperismo e
erosão. Conjunto de processos responsáveis pelo
rebaixamento
sistemático da superfície da terra pelos agentes naturais
de erosão e pelo intemperismo. É um termo mais amplo do
que erosão,
embora este seja usado como sinônimo daquele. É
também usado como sinônimo de degradação,
embora alguns autores
atribuam à denudação o processo, e à degradação o resultado deste processo.
depocentro - a)
sítio de máxima subsidência e/ou
sedimentação em uma bacia sedimentar; b) diz-se da
porção mais espessa de uma
seqüência estratigráfica específica em uma bacia sedimentar. (1). I: Depocenter.
deposição de sedimentos - processo
de acumulação ou concentração de partículas sólidas através de meio
aquoso ou aéreo. Ocorre quando a força do agente transportador natural
- água ou vento - é sobrepujada pela força da gravidade; ou por
supersaturação de partículas nas águas ou no ar; ou por atividade de
organismos.
depósito deltáico - depósito aluvionar encontrado na desembocadura de um rio.
depósito eólico - sedimento
de origem eólica, normalmente caracterizado por boa seleção
granulométrica, pronunciado arredondamento dos grãos, estratificação
diagonal cruzada (freqüente em material arenoso mas ausente em material
fino) (2). I: Eolic deposit.
depósito hipotermal - depósito
hidrotermal de minerais formados a grandes profundidades, sob altas
condições de pressão e temperatura, por soluções quentes ascendentes
derivadas de rochas ígneas em consolidação. Os depósitos hipotermais
incluem veios e
substituições formados ao longo das fendas das rochas.
depósito de tálus - vide tálus.
depósito de várzea - sedimentos
de granulação fina - silte e argila - formados pela deposição da carga
suspensa de um rio durante os períodos de transbordamento, sobre a
planície de inundação.
depósitos aluviais - Depósitos detríticos
resultantes da sedimentação através de rios atuais, incluindo depósitos de
canais, planícies de inundação, lagos e leques aluviais.
depósitos biogênicos - Sedimentos resultantes
da atividade fisiológica de organismos, tais como algas e corais. Os sedimentos
assim formados são chamados de biolititos e são caracterizados por
exibirem um arcabouço orgânico. Exemplos: recifes de corais e algas.
depósitos clásticos - Depósitos sedimentares
formados por fragmentos minerais derivados de rochas ígneas, sedimentares ou
metamórficas preexistentes. Sinônimo: sedimentos clásticos.
depósitos flúvio-marinhos - Depósitos
sedimentares originados pela ação combinada de processos fluviais e marinhos
(litorâneos). Em geral, são encontrados em planícies costeiras e em deltas
marinhos. Sinônimo: sedimentos flúvio marinhos.
depósitos halogênicos - Depósitos sedimentares
formados predominantemente por compostos químicos a base de elementos do grupo
VIIb da tabela periódica (F, Cl, B, I)
depósitos hemipelágicos - Sedimentos que
recobrem a superfície de fundo do talude continental ou de regiões próximas ao
continente. Contém proporção importante de sedimentos terrígenos depositados a
altas taxas e comumente envolvem processos de redeposição através de correntes
de turbidez ou geostróficas. Dessa maneira, esses depósitos ocupam a posição
intermediária entre os depósitos marinhos de plataforma continental (neríticos)
e os depósitos pelágicos ou eupelágicos. Sinônimo: sedimentos
hemipelágicos.
depósitos lacustres - Depósitos sedimentares
acumulados no fundo de um lago, em geral mais finos do que de canal fluvial. A
fauna e a flora associadas são em geral de água doce, refletindo as
características do ambiente. Sinônimo: sedimentos lacustres.
depósitos lagunares - Sedimentos em geral mais
finos (síltico-argilosos) do que os de mar aberto, mais ou menos ricos em
matéria orgânica. A fauna e a flora associadas são em geral, eurihalinas e
euritermais, sendo mais ou menos típicas deste ambiente. Fragmentos de
conchas de moluscos, predominantemente de ostras, podem constituir parcela
importante desses sedimentos. Taxas variáveis de sedimentação, associadas à ação
de ondas, produzem laminações nos sedimentos, mas elas são em geral destruídas
pela bioturbação por organismos perfuradores.
depósitos litorâneos - Sedimentos ligados à
deriva litorânea, situados entre os níveis de preamar e baixa-mar. Em
zonas litorâneas abertas são relativamente comuns os sedimentos arenosos e
cascalhos, enquanto que em zonas litorâneas protegidas predominam depósitos
arenosos finos e síltico-argilosos. Depósitos litorâneos pleistocênicos,
correspondestes a níveis marinhos mais baixos do que o atual, são abundantes
sobre a plataforma continental.
depósitos marinhos - Materiais compostos, em
geral, de minerais resultantes do acúmulo pela ação marinha, em regiões
litorâneas ou de mares profundos. Freqüentemente esses depósitos aparecem acima
do nível atual dos mares em virtude de flutuações de níveis relativos das áreas
continentais e oceânicas.
depósitos paludiais - Depósitos de pântanos de
água doce ou salobra, que são comuns em regiões de topografia baixa e irregular
ao longo de zonas litorâneas ou nas margens de rios e lagos. Esses depósitos são
compostos predominantemente de lamas rcas em matéria orgânica, contendo óxidos
de ferro e carbonatos e localmente areia e marga, passando lateralmente para
depósitos marinhos ou lacustres.
depósitos pelágicos - Sedimentos de costa
afora depositados em fundos submarinos profundos, caracterizados por baixa taxa
de sedimentação (cerca de 1 mm/1000 anos). Esta taxa de sedimentação faz com que
os sedimentos depositados fiquem sujeitos à oxidação, dissolução e bioturbação
por organismos bentônicos. Esses sedimentos são também chamados de
eupelágicos e compreendem as lamas vermelhas e as vasas orgânicas
(radiolários, diatomáceas, pterópodes e Globigrina)
depósitos de placer - Concentração mecânica
superficial de partículas minerais provenientes de detritos de intemperismo.
Embora os depósitos de placer fluviais sejam os mais freqüentes, os agentes de
concentração podem ser também marinhos, eólicos, glaciais, etc. Nas planícies
litorâneas da costa oriental do Brasil, desde o norte do Rio de Janeiro até a
Bahia, ocorrem depósitos de placer praiais de areia monazítica e ilmenítica,
formados por retrabalhamento marinho de sedimentos continentais da Formação
Barreiras.
depósitos químicos - Sedimentos formados por
precipitação química de sais dissolvidos em água, seja por evaporação, pela
variação das condições físico-químicas ou pelo efeito de atividades
biológicas.
depósitos salinos - Veja evaporitos
depressão - Depressão rasa, em geral
pantanosa, como a encontrada em cristas praiais.
deriva - processo
geotectônico de afastamento gradual de massas continentais,
correspondente à fase evolutiva de uma bacia oceânica
que
sucede aos estágios iniciais de rifteamento crustal. I: drift. Obs.:
Encontra-se, em uso corriqueiro, na literatura brasileira, o
termo drifte (1).
deriva continental - Teoria proposta por
Wegener (1924), segundo a qual os continentes já estiveram unidos em massas
continentais bem maiores e teriam sofrido fragmentação, sendo afastados com o
tempo, de modo que as suas formas e posições modificaram-se até atingirem as
situações atuais.
deriva litorânea - (1) Movimentação de areias,
cascalhos e outros materiais componentes das barras e praias ao
longo da costa. (2) Material movimentado na zona litorânea, principalmente por
ação de ondas e correntes.
derrame - extravasamento
de lava, isto é, de material líquido magmático.
Também utilizado para lavas solidificadas, como por exemplo, os
extensos derrames basálticos da Formação Serra
Geral da Bacia do Paraná, na porção meridional do
Brasil.
desabamento - são
formas de subsidência bruscas, envolvendo colapso na superfície,
provocadas pela ruptura ou remoção total ou parcial do substrato.
Envolvem áreas reduzidas, mas podem ter efeitos catastróficos em áreas
povoadas. Sua principal origem é associada
a trabalhos subterrâneos de mineração, podendo
ocorrer, também, por dissolução de rochas e
substâncias como calcários,
dolomitos, gipsita, sal, etc.
desagregado, solo, rocha - separação
em diferentes partes de um solo, ou de uma rocha, cuja origem pode ser
devida ao trabalho dos agentes erosivos ou aos agentes endógenos.
descarga - quantidade de água que passa num certo ponto na unidade de tempo.
descarga de efluentes - quantidade
de água residuária, ou de material sólido trazido em suspensão, nas
águas de um rio, que passa num certo ponto na unidade de tempo.
descolamento - a)
fenômeno pelo qual blocos crustais movimentam-se sobre superfícies
lístricas de grande escala, geralmente para acomodar deformações
originadas por esforços distensivos; b) diz-se do segmento de baixo
ângulo da principal falha lístrica normal, para o
qual convergem várias outras falhas secundárias contidas em seu domínio côncavo. (1). I: Detachment.
descontinuidade - estrutura
geológica plana que interrompe a continuidade física das rochas,
causando a sua compartimentação. Termo genérico que engloba todas as
estruturas tais como: falhas, diáclases, fissuras, fraturas, etc.
descontinuidade
de Mohorovicic, (Moho) abrupto limite sísmico que separa a base da
crosta do manto superior, interpretado como reflexo de uma
significativa mudança química e petrológica da matéria (1). I:
Mohorovicic Discontinuity, Moho.
desembocadura - (1) Saída ou ponto de descarga
de um curso fluvial em um outro, lago ou mar. (2) Abertura que permite a entrada
ou saída em uma gruta, canhão submarino, etc.
desequilíbrio ambiental - fenômeno
natural ou induzido que afeta o ecossistema de uma região, modificando
a inter-relação entre os organismos vivos e seu ambiente. Traduz-se,
principalmente, pela explosão populacional de determinada espécie -
fauna ou flora , sobre as demais, ou pelo declínio e extinção das
várias espécies que compõem o sistema ecológico local.
desertificação - processo
de transformação de uma determinada região, com modificação de suas
características naturais, em uma região árida, cuja vegetação é
especialmente adaptada à solos estéreis.
deslizamento - movimento
gravitacional, de massa rochosa ou intemperizada, resultante de ruptura
basal, havendo boa definição de sua
superfície de cisalhamento, onde o corpo deslocado mantém
certa coesão e organização interna. O termo
escorregamento tem
sido aplicado aos deslizamentos subaquosos em situações
onde a massa sedimentar deforma-se, sobretudo na sua parte frontal,
exibindo falhas inversas, dobras recumbentes, anticlinais e sinclinais
assimétricos, cujos eixos orientam-se paralelamente ao
strike da declividade; a superfície basal de ruptura é
curva, com a concavidade voltada para cima. (1).
Designação genérica para
os movimentos do manto de intemperismo ou rocha viva, nas encostas das montanhas. Pode dar-se de forma contínua e lenta,
por ação da gravidade e implicando todo o manto de
intemperismo ou parte dele. O deslizamento é acelerado pela
infiltração
excessiva de água proveniente de chuvas torrenciais, ou
água proveniente do degelo, ou por descalçamento da base
de taludes
de forma natural (erosão) ou artificial (ação
antrópica). Pode ser potencializado pela
devastação da cobertura vegetal, pela
abertura de estradas, pelo corte de barrancos e taludes, etc. A
designação desmoronamento restringe-se ao caso em que o
deslocamento é mais rápido e brusco. I: Slide (deslizamento), Slump (escorregamento).
deslizamento subaéreo - Escorregamento
subaéreo ao longo de encostas inclinadas, de diferentes tipos de materiais,
compreendendo tanto os consolidados (maciços rochosos fraturados) quanto os
inconsolidados (mantos de intemperismo, sedimentos recém-depositados, etc.). A
estabilidade desses materiais ao longo de superfícies declivosas diminui na
razão inversa dos seus teores de água. Desta maneira, períodos chuvosos
prolongados tendem a aumentar a incidência deste fenômeno, freqüentemente com
resultados catastróficos em áreas mais densamente povoados. Além disto, o
processo pode ser desencadeado por atividades sísmicas ou por interferência
antrópica inadequada.
dessalinização - Processo industrial de
remoção do sal da água salgada ou salobra para posterior emprego doméstico ou
industrial desta água.
detrítico - Veja clástico
diabásio - rocha
ígnea intrusiva, hipoabissal, básica, de
granulação média a fina, constituída
essencialmente de feldspato cálcico e
piroxênio. Pode conter olivina. Ocorre em forma de diques e sills.
diaclasamento colunar - tipo
de diaclasamento em forma de colunas. Geralmente as juntas formam um
desenho hexagonal mais ou menos bem definido. Característica de rocha
basáltica, desenvol-vido por contração durante seu resfriamento.
diáclase - fratura
numa rocha, ao longo da qual não é observado
deslocamento. Junta de tração sem deslocamento
diferencial entre blocos
de rocha. Sin.: junta.
diagênese - conjunto
de processos superficiais e subsuperficiais, físicos e químicos, que
atuam sobre os sedimentos, desde a sua deposição até a sua
consolidação. Não se incluem na diagênese os processos de
transformações das rochas conhecidos como
metamorfismo (fenômeno motivado por mudanças de
temperatura e pressão, sob condições de
profundidade), assim como as
alterações superficiais (intemperismo).
diápiro - domo
no qual as rochas sobrepostas foram rompidas pela injeção
ou intrusão de material plástico ascendente que
compõe seu
núcleo. (1). I: Diapir.
diastrofismo - termo
genérico para todos os movimentos da crosta produzidos por
processos tectônicos originados em seus níveis mais
profundos, ou no manto, envolvendo propagação de forças internas da Terra. (1). I: Diastrophism.
diatomito - rocha
sedimentar silicosa de origem orgânica, formada pelo acúmulo de
carapaças de alga diatomácea. Apresenta cerca de 50% de porosidade.
diatomácea - Alga unicelular microscópica que
vive no meio aquático naturalmente iluminado, constituindo parte do plâncton ou
presa a algum tipo de substrato. Possuem carapaça silicosa (opala) denominada de
frústula. Representa um importante componente do plâncton, ao lado dos
copépodes. Muitas espécies apresentam preferências em termos de profundidade e
salinidade.
difração de ondas - Fenômeno de transmissão
lateral de energia de uma onda, ao longo de sua crista. Este efeito manifesta-se
quando há propagação de ondas em um setor restrito, ou quando um trem de ondas é
interceptado por um obstáculo como, por exemplo, um quebra-mar.
dinâmica costeira - Os principais agentes
naturais de dinâmica costeira são gerados por forças astronômicas, impulsivas,
meteorológicas. As forças astronômicas são responsáveis pelas marés, que causam
mudanças periódicas no nível do mar, e portanto modificam as larguras das faixas
de praia nas quais atuam outros processos. As forças impulsivas são responsáveis
pelos terremotos, deslizamentos subaéreos e erupções vulcânicas que podem
provocar, por exemplo, tsunamis que podem ocasionar mudanças
catastróficas na zona costeira. As ondas são os principais agentes ligados as
forças meteorológicas que, por sua vez, podem ser refratadas, difratadas ou
refletidas ou mesmo absorvidas durante a sua propagação na zona costeira. Por
outro lado, o homem é hoje em dia um agente muito importante de dinâmica
costeira. No Japão, por exemplo, mais de 25% da linha costeira são providos de
algum tipo de estrutura artificial construída pelo homem, tais como, diques,
espigões, quebra-mares e portos.
dique - (1) Corpo tabular de rocha ígnea
intrusiva em discordância à estrutura da rocha encaixante. (2) Corpo tabular de
rocha sedimentar, introduzida por preenchimento ou por injeção, em discordância
à estrutura da rocha encaixante. (3) Paredão construído ao redor de uma área
baixa para prevenir inundações. O sistema de diques mais extenso do mundo é o
existente na Holanda.
distal - Porção mais afastada da fonte de
suprimento em depósitos, por exemplo, de correntes de turbidez (ou de
turbiditos), onde predominam sedimentos de granulação mais fina e laminados, em
contraposição à proximal, mais junto da fonte, caracterizada por granulação mais
grossa e estrutura maciça ou com granodecrescência ascendente.
distributário - Ramificação divergente de um
rio junto à foz, como a encontrada caracteristicamente em áreas deltáicas, em
contraposição ao tributário (afluente). Também chamado braço de rio.
diferenciação magmática - processo
pelo qual um magma originalmente homogêneo se separa em partes
distintas, que podem formar corpos de rocha isolados ou permanecer
dentro dos limites de uma massa única (2).
diorito - rocha
plutônica, granular, praticamente sem quartzo, com
plagioclásio intermediário e minerais ferromagnesianos,
em especial
hornblenda.
disconformidade - uma
superfície de erosão ou de não deposição durante um determinado tempo
geológico, que separa rochas mais antigas de rochas mais jovens. Quebra
na continuidade de deposição, quando uma formação rochosa é recoberta
por outra de idade
geológica mais recente, que não é conseqüente
na sucessão geológica. Sin.: Discordância paralela.
discordância - ausência
de paralelismo entre camadas adjacentes em uma estratificação. Quebra
ou interrupção numa seqüência de camadas indicando hiato na
sedimentação durante o qual pode ocorrer uma fase erosiva ou
diastrófica seguida de erosão.
discordância angular - quando
a seqüência superior forma angulo com as camadas inferiores provocado
pela perturbação tectônica das rochas mais antigas anterior à deposição
das camadas superiores (2).
discordante - termo usado para descrever um contato ígneo que corta o acamamento ou foliação das rochas adjacentes.
dissolução - ação
físico-química deletéria que as águas naturais podem exercer sobre
materiais por elas percolados. A destruição deve-se às propriedades de
solubilidade destes materiais em água e da reatividade química dos
mesmos com os íons transportados pela
água.
distensão - sistema de esforços que tende a aumentar o comprimento ou o volume de um corpo. (1). I: Extension.
dobra - curvatura
ou flexão produzida nas rochas por causas diversas como
intrusão magmática, deslizamento, e principalmente
tectônicas (2). É caracterizada por: eixo, plano axial e
flanco e recebe diversas denominações de acordo com sua
geometria,
dobra aberta, dobra assimétrica, dobra de arrasto, dobra deitada, dobra isoclinal, etc.
dobramento - deformação plástica da crosta sob a ação de forças tangenciais (2).
dogleg (I) - mudança angular abrupta na direção de um determinado elemento estrutural. (1).
dolina - cavidade
natural em forma de funil, comunicada verticalmente a um sistema de
drenagem subterrânea, em região de rochas
calcárias. Distinguem-se dois tipos: 1) Dolina de
dissolução, formada por água de
infiltração, alargando fendas; 2) Dolina de
desmoronamento, formada por desmorona-mento do teto de uma caverna
subterrânea. As dolinas atingem diâmetros de até
100 m, e profundidades de várias centenas de metros (2).
dolomitização - processo
de substituição do carbonato de cálcio (calcita) de uma rocha, por
carbonato de cálcio e magnésio (dolomita), sob efeito de percolação de
águas magnesianas.
dolomito - rocha sedimentar constituída predominantemente de dolomita (carbonato de cálcio e magnésio).
domo - estrutura positiva na qual as camadas rochosas mergulham divergentemente em todas as direções. (1). I: Dome.
domo de areia - Minúscula estrutura dômica
(milimétrica) que aparece na areia de praia, formada por espraiamento das águas
aprisionando ar. A erosão dos domos de areia provoca o aparecimento da estrutura
em anel.
domo salino - Estrutura resultante do
movimento ascendente de massa salina, composta principalmente de halita (NaCl),
com forma aproximadamente cilíndrica de diâmetro pequeno em relação à altura,
que pode atingir desde várias centenas até alguns milhares de metros. Na costa
do Golfo do México (Estados Unidos), os domos salinos propiciam acumulações
importantes de hidrocarbonetos (petróleo e gás) e enxofre. Nas bacias marginais
brasileiras, segundo Leyden (1976), os domos salinos formam a seqüência média
atribuída ao Andar Alagoas (Cretáceo), ocorrendo desde a Bacia de Santos até
Sergipe-Alagoas (Ponte & Asmus, 1976).
downlap (I) - termo
utilizado em sismoestratigrafia, referindo-se ao limite inferior de uma
seqüência deposicional, quando este configura-se
em terminação sucessiva, mergulho abaixo, de estratos
(refletores sísmicos), originalmente inclinados, sobre uma
superfície
discordante, horizontal ou inclinada, de natureza deposicional ou erosional. (1).
draga - Equipamento utilizado para operações
de dragagem.
dragagem - Método de amostragem, de exploração
de recursos minerais, de aprofundamento de vias de navegação (rios, baías,
estuários, etc) ou dragagem de zonas pantanosas, por escavação e remoção de
materiais sólidos de fundos subaquosos. Naturalmente, cada tipo de operação de
dragagem requer equipamentos adequados. A amostragem de material de fundo
submarino é feita pelo arraste de caixa metálica de várias capacidades
(volumes). Depósitos de cassiterita submarinos, em exploração desde 1907 na
plataforma continental do SE da Tailândia, vem sendo trabalhados por dragagem em
águas costeiras entre 20 e 30 m. de profundidade (Aleva, 1973).
drenagem - conjunto
de processos ou métodos destinados a coletar, retirar e conduzir
a água de percolação de um maciço,
estrutura ou
escavação.
drenagem superficial - conjunto de processos destinados ao esgotamento de águas superficiais. O mesmo que rede de drenagem.
dreno - elemento
drenante. em sua concepção mais simples,
constituído por furo capaz de coletar a água e conduzi-la
para o local de
esgotamento.
drusa - cavidade numa rocha coberta por pequenos cristais. (Sin.: Geodo).
dúctil - a)
comportamento pelo qual uma rocha, sob determinadas
condições, é capaz de incorporar uma
deformação maior que 5%
antes de fraturar ou falhar; b) diz-se dos corpos rochosos que fluem
quando, em um período de tempo geológico, são
submetidos a esforços. (1). I: Ductile.
ductibilidade - propriedade de um material sólido de se deformar plasticamente antes da ruptura.
duna - Colinas de areia acumuladas por
atividade de ventos, mais ou menos recobertos por vegetação. As dunas podem ser
classificados segundo as formas, orientação em relação ao vento, etc. em
transversais, longitudinais, parabólicas, piramidais, etc. Elas ocorrem mais
tipicamente nas porções mais centrais dos desertos, mas também podem ser
encontradas em regiões litorâneas ou em margens fluviais. Campos de dunas
costeiras importantes ocorrem nas regiões litorâneas do Maranhão, sul de Santa
Catarina e norte de Salvador (BA), enquanto que dunas fluviais pretéritas tem
sido mencionadas na margem esquerda do Rio São Francisco a montante de Petrolina
(PE). Ondas arenosas são também conhecidas com dunas
subaquosas.
duna de deflação - Termo aplicado a
acumulações de areia derivadas de "bacias" de deflação, principalmente quando as
acumulações apresentam grandes dimensões e erguem-se acima da cota da área
fonte.
duna inativa - Duna mais ou menos
estacionária, com cobertura vegetal estabelecida por melhoria climática ou por
meio artificial. Nos campos de dunas litorâneas de Salvador (BA) e Laguna (SC),
as faixas mais internas, isto é, mais distantes da praia atual são compostas de
dunas inativas que, em geral, exibem cores amareladas ou alaranjadas.
dunito - rocha ígnea ultramáfica composta quase que exclusivamente de olivina.
duplex(I) - inicialmente definido como complexo estrutural formado sob regimes compressivos, envolvendo fatias rochosas limitadas na
base e no topo por falhas de empurrão. São descritos
igualmente em zonas distensionais e transcorrentes, neste último
caso
com a envoltória dos planos de falha verticalizada. (1).
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