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10/12/2007
Tiranossauro rex corria a 30 km/h
O paleontólogo britânico Phil Manning,
principal pesquisador envolvido no estudo de Dakota, o fóssil de
dinossauro de 67 milhões de anos encontrado nos EUA com
vestígios de tecidos moles - incluindo o invólucro de
pele completo, além de tendões e ligamentos - diz que a
descoberta permitirá determinar como o animal se movia, sua
força, tamanho e velocidade.
Tiranossauro rex corria a 30 km/h, mostra simulação
"Ter a pele completa, além dos ossos, é importante,
porque com isso conseguimos saber qual o volume máximo de
músculos do animal", explica Manning, em entrevista por telefone
ao estadao.com.br. "E, com isso, estimar sua velocidade. É por
isso que estamos tão entusiasmados. Os modelos de movimento que
faremos serão muito mais precisos", afirma.
Dakota, cuja descoberta foi anunciada publicamente na última
segunda-feira, foi saudado como uma das mais completas "múmias
de dinossauro" já encontradas. "Múmia", no caso, é
o apelido dado aos fósseis que apresentam sinais de tecidos
moles, além de ossos e dentes.
Manning afirma que o animal, um hadrossauro - um herbívoro, cujo
nome significa "lagarto com bico de pato" - renderá
vários anos de estudo, a começar pela
explicação do equilíbrio químico que
manteve os tecidos moles livres de decomposição,
até serem fossilizados.
No momento, os cientistas analisam os dados gerados por uma tomografia
computadorizada do fóssil, realizada num equipamento normalmente
usado pela Nasa para inspecionar peças de ônibus
espaciais.
A equipe já concluiu que Dakota tinha um traseiro 25% maior que
o esperado para hadrossauros - o que poderá mudar a imagem comum
desses animais, que com o músculo extra seriam corredores muito
mais velozes do que se imaginava, capazes de deixar o Tiranossauro rex
para trás.
Dakota foi descoberto em 1999 por Tyler Lyson, hoje um estudante de
geologia e, na época, um adolescente de 16 anos, em Dakota do
Norte. A história da descoberta e as primeiras conclusões
do grupo de Manning serão tema de um documentário do
canal National Geographic, com exibição prevista, no
Brasil, para 16 de dezembro. Manning também
lançará um livro sobre múmias de dinossauros,
Grave Secrets of Dinosaurs: Soft Tissues and Hard Science ("Segredos do
Túmulo dos Dinossauros: Tecidos Moles e Ciência
Dura").
Sobre outras surpresas que a múmia possa conter - como um
coração ou um fígado fossilizado de dinossauro -
Manning afirma que a tecnologia atual ainda não é boa o
suficiente para revelá-las.
"Tentar descobrir isso agora significaria fatiar o fóssil, o que
ninguém está muito ansioso em fazer", explicou o
pesquisador. "Até que a tecnologia de imagem chegue à
altura disso, teremos de esperar".
Fonte: Estadao