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16/03/2008
Minério de ferro deve render 61% mais
A perspectiva de mais um período de demanda aquecida desenha
2008 como um novo ano de quebra de recordes das commodities minerais,
um mercado de oferta contida e estoques historicamente baixos.
As exportações devem disparar 40% em
relação ao ano passado, para US$ 24,457 bilhões.
As importações prometem aumentar 33,6%, para US$ 12,750
bilhões. Com isso, o saldo da balança comercial das
commodities minerais deve fechar 2008 com US$ 11,707 bilhões,
crescimento de 47,3% em relação ao ano passado.
Essas são as conclusões de levantamento feito a pedido da
Folha a especialistas e analistas de mercado. As
projeções não incluíram dados
pormenorizados sobre a entrada em produção de novos
projetos minerais no país.
As exportações são puxadas pelo minério de
ferro, responsável por 70% dos embarques de commodities minerais
do país. Projeções conservadoras apontam para
receita de US$ 17 bilhões no ano, 61% mais que o obtido em 2007.
O volume deve crescer apenas 11%, para algo em torno de 300
milhões de toneladas. O aumento da receita vem do preço
em alta. As mineradoras têm obtido reajustes na faixa de 65% a
70% para este ano na comparação com as
cotações praticadas em 2007. Para o próximo ano,
as primeiras previsões apontam novas elevações, de
15% a 30%, no reajuste do minério.
O apetite das siderúrgicas explica também parte do
crescimento das importações projetadas para este ano. As
empresas brasileiras devem importar 15% mais carvão mineral no
ano, chegando a 21,1 milhões de toneladas.
Os gastos tendem a "explodir" até US$ 3 bilhões, alta de
63% em relação ao ano passado. O preço deve ser
reajustado de 80% a 100% até a metade do ano, em linha com a
oferta mais modesta, a começar da China. O frio intenso no
começo de 2008 prejudicou a logística de
extração nas principais minas do país.
A outra parte das importações maiores se deve ao campo. A
exemplo do carvão mineral, o Brasil é importador dos
insumos para a produção de fertilizantes. A
balança comercial dos compostos químicos de fosfatos
tende a ser deficitária em US$ 2,430 bilhões, aumento de
35% em relação a 2007. Com potássio, os gastos
devem bater em US$ 2,3 bilhões, 52% mais. Com enxofre, US$ 286
milhões, 66% mais.
Esses impactos nos custos devem ser compensados pelos resultados das
cadeias da agricultura e do aço, que repassam os reajustes
desses insumos.
Para os especialistas, os aumentos do ferro e do carvão
serão assimilados pelo aquecimento que se prevê para a
construção civil e a indústria
automobilística.
O cobre lidera as importações minerais do país. Os
gastos tendem a chegar a US$ 3,250 bilhões em 2008, em material
semi-elaborado e refinado. O Brasil também exporta o produto,
mas na forma de concentrados. Neste ano os embarques devem chegar
à receita de US$ 2,1 bilhões. O déficit de US$
1,150 bilhão praticamente repete o desempenho de 2007. "A
expectativa é que, até 2010-2012, essa conta esteja
zerada, com a extração nas novas minas da Vale", diz
Mathias Heider, especialista em recursos minerais do DNPM (Departamento
Nacional de Produção Mineral) do Ministério de
Minas e Energia.
Extração maior
O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) também
aguarda aumentos expressivos na extração de zinco e
níquel, o que deve deixar o Brasil em situação
mais confortável nesses produtos. Para este ano, o
déficit de zinco deve chegar a US$ 250 milhões,
praticamente o mesmo valor de 2007.
Para o níquel, a previsão é superávit de
US$ 420 milhões. No ano passado, o Brasil teve 3% de
participação no mercado mundial de níquel. Para
2018, a expectativa é que fique com 11%, atrás apenas da
Austrália (14%) e da Rússia (12%).
O mercado internacional neste mês prosseguiu cravando novas
cotações recordes. Em Londres, a tonelada do cobre ensaia
superar os US$ 9.000 a tonelada métrica. Pela primeira vez, o
preço do ouro passou os US$ 1.000 a onça (31,1 gramas) em
Nova York. O preço do alumínio ultrapassou US$ 3.200 a
tonelada métrica, com problemas na extração da
África do Sul e da China.
Os exemplos de preços elevados se multiplicam: chumbo rumo a US$
3.000 a tonelada; níquel a US$ 30 mil --depois de
alcançar o recorde de US$ 55 mil no ano passado--; estanho a US$
18 mil e zinco também mirando R$ 3.000.
Levantamento do DNPM, do Ministério de Minas e Energia,
divulgado no começo do mês, mostra que a tonelada dos
metais custava, em média, apenas US$ 1.000 em 2002. Seis anos
mais tarde, esse valor passou a US$ 4.000.
Ação dos fundos
O boom mineral deve se estender ao menos até 2010. Mesmo
reconhecendo que os fundos de investimento desempenham papel primordial
para as cotações em alta, analistas consideram ser remota
a chance de esse movimento ser apenas mais uma "bolha" financeira. O
mercado estima que esses fundos movimentem cerca de US$ 2
trilhões em negócios com petróleo, minerais e
alimentos. Prova disso são os negócios à vista,
que também registram sucessivos recordes.
Sustenta o preço das commodities minerais a demanda mundial
aquecida a um ponto muito além da possibilidade de
expansão da indústria. Do começo da década
até fevereiro passado a cotação do ferro subiu
374%; do cobre, 440%; do níquel, 372%; do chumbo, 480%; e do
zinco, 178%.
Ao divulgar os resultados do ano passado, a Vale, principal empresa na
extração de minérios do país, avaliou que
"o dinamismo das maiores economias emergentes, como China e
Índia, concorra para compensar parcialmente o efeito da
contração do crescimento das economias desenvolvidas"
--EUA, Europa e Japão. A expectativa de mercado doméstico
firme no Brasil também contribui para a sustentabilidade das
empresas com base no país.
A demanda chinesa calça a análise da Vale. No ano
passado, a China respondeu por 49% do consumo mundial de minério
de ferro, 33% do de alumínio, 26% do de cobre e 24% do de
níquel.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO