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16/01/2009
PALEONTÓLOGOS ENCONTRAM EXCREMENTOS COM 4 MIL ANOS
Dejectos de ave gigante extinta mostram como era a Nova Zelândia antes da chegada do Homem
Uma equipe de paleontólogos australianos descobriu o que estava
escondido há quatro mil anos nas zonas mais remotas da Nova
Zelândia. Enterrados em grutas nas rochas, os cientistas
encontraram dejectos de Moa gigante (Dinornis novaezealandiae),
espécie de ave extinta, que os podem ajudar
a“espreitar” e saber como era aquele país antes da
chegada do Homem.
Jamie Wood, da Universidade de Otago, descobriu no Sul da Nova
Zelândia 1500 dejectos desta ave, que em tempos era a maior ave
do planeta com os seus três metros de altura e 250 quilos. E que
não voava.
Alguns dos dejectos encontrados tinham até 15 centímetros
de comprimento e foram datados de um período entre os quatro mil
anos e poucas centenas de anos atrás, explicou Alan Cooper,
director do Centro australiano para o ADN antigo, na Universidade de
Adelaide.
Utilizando tecnologia para analisar o ADN, os investigadores estudaram
os excrementos secos, bem como pequenos pedaços de folhas e
sementes encontrados nos dejectos e compararam-nos com as
espécies de plantas conhecidas. Começava assim a ser
construída a primeira imagem detalhada de um ecossistema
dominado por espécies gigantes extintas. “A Nova
Zelândia oferece uma oportunidade única para reconstruir o
funcionamento de um ‘ecossistema megafaunal’”,
comentou Cooper. “Não podemos fazer isto em mais lugar
nenhum do mundo porque as espécies gigantes se extinguiram
há demasiado tempo, por isso não temos um registo
tão diverso de espécies e habitats”, acrescentou.
Os cientistas reconhecem ter ficado surpreendidos com os resultados das
análises ao ADN. “Surpreendentemente, em
relação ao que acontece com aves assim tão
grandes, metade das plantas que encontrámos nos dejectos tinham
menos de 30 centímetros de altura”, disse Wood, num
comunicado publicado no site da Internet do Centro australiano para o
ADN antigo. “Isto sugere que algumas moas se alimentavam de
plantas do género de pastagem o que representa uma grande
mudança em relação àquilo que
pensávamos, ou seja, que essas aves se alimentavam de
árvores e arbustos”, acrescentou.
Além disso, os paleontólogos encontraram “muitas
espécies de plantas que estão actualmente
ameaçadas ou são raras, sugerindo que a
extinção da moa teve um impacto na sua capacidade de
reprodução ou dispersão”.
Mas o estudo está longe de pertencer apenas ao passado. Os
paleontólogos acreditam que as interacções entre
animais e plantas que viram nos dejectos “deram uma
informação crucial sobre as origens e o contexto do nosso
ambiente actual e para prever como poderemos responder a
extinções e a alterações climáticas
futuras”, comentou Cooper.
Depois da Nova Zelândia, os paleontólogos questionam-se se
poderão fazer o mesmo com os marsupiais gigantes já
extintos na Austrália, dadas as condições
áridas que promovem a sua conservação. “A
grande questão que se coloca agora é: ‘para onde
foram todos os dejectos australianos?”, brincou Cooper.
A moa, grupo de que faziam parte dez espécies entre elas a moa
gigante, foi o herbívoro dominante na floresta da Nova
Zelândia durante séculos até à chegada do
povo Maori que caçaram estes animais. Acredita-se que todas as
espécies se extinguiram até 1500, ou seja, no
espaço de apenas cem anos. Hoje podemos apenas ver os seus
esqueletos, espalhados por museus de História natural de todo o
mundo.
As conclusões do trabalho – de cientistas da Universidade
de Adelaide, da Universidade de Otago e do Departamento de
Conservação da Nova Zelândia - foram publicadas na
“Quaternary Science Reviews”, uma revista de geologia
internacional.
FONTE: PUBLICO.PT