Pouca gente ficou sabendo, mas um asteroide do tamanho de um prédio de 10
andares passou a cerca de 72 mil quilômetros da Terra na segunda-feira. Pode
parecer muita coisa – mas não é. É apenas um quinto da distância entre o nosso
planeta e a Lua, ou o dobro da altitude em que orbitam os satélites de
comunicação. Detectado apenas dois dias antes, o objeto passou de raspão por nós
sem qualquer alarde – mas uma eventual colisão teria provocado uma catástrofe.
Quando o asteroide foi visto pela primeira vez, no sábado, já estava a cerca
de 2,4 milhões de quilômetros do planeta. A detecção foi feita pelo Siding
Spring Survey, um programa australiano que faz o rastreamento de objetos
próximos à Terra. Em seguida, a presença foi confirmada pelo International
Astronomical Union Minor Planet Centre (MPC), órgão responsável pela catalogação
de objetos no Sistema Solar. O pouco tempo entre a detecção e a passagem expôs a
fragilidade dos sistemas de rastreamento existentes.
Batizado de 2009 DD45, o asteroide tem um tamanho estimado
entre 21 e 47 metros de diâmetro. Comparado a outros que já passaram pelo
planeta, é considerado pequeno pelos especialistas. Mas, para se ter uma ideia
do tamanho do estrago que causaria, caso sua trajetória incluísse a Terra, em
1908 uma rocha de mesmo tamanho atingiu a Sibéria com um impacto equivalente ao
de mil bombas atômicas – entre 10 e 15 megatons de TNT. Entre os destroços, 80
milhões de árvores foram arrasadas em uma área de 2 mil quilômetros quadrados
perto do Rio Tunguska.
Conforme o coordenador do Laboratório de
Astronomia da Faculdade de Física da PUCRS, Délcio Basso, a demora na detecção
do asteroide pode estar ligada à sobrecarga no North American Aerospace Defense
Command (Norad). O órgão americano é responsável por monitorar uma grande
quantidade de objetos que estão em órbita ao redor da Terra. Entre eles,
satélites, pedaços de foguetes, outros asteroides e até ferramentas perdidas por
astronautas no espaço.
Ainda de acordo com Basso, as chances de o
impacto ocorrer em áreas urbanas, no caso de um choque com o nosso planeta,
seria relativamente pequeno. Segundo ele, o impacto provavelmente seria na água,
que cobre cerca de três quartos da superfície da Terra, ou em áreas não
habitadas. Se o meteoro caísse no oceano, um tsunami poderia se formar,
atingindo, talvez, o litoral próximo. Apesar da potencial tragédia, o professor
da PUCRS afirma que o corpo era pequeno, ou teria sido avistado mais cedo pela
grande quantidade de profissionais e amadores que usam telescópios.
Sobre o impacto, Basso reforça que o ângulo de incidência na Terra seria
decisivo para o tamanho da calamidade. Se o asteroide viesse rasante, explica, a
atmosfera poderia se encarregar, naturalmente, de mandá-lo de volta para o
espaço ou incinerá-lo. Uma queda na vertical, por sua vez, acarretaria estragos
maiores. A composição do asteroide também influencia, pois, quanto menos denso,
menor a potência do impacto.
Tocando o solo, o 2009 DD45 abriria uma
cratera gigantesca – e provocaria uma onda de choque capaz de derrubar prédios e
produzir incêndios. Uma cena mais comum nas telas dos cinemas.