Estudantes de Geologia da UFMT decidiram em Assembléia Geral, ontem
à tarde, por unanimidade, entrar em greve, por conta da precarização do curso.
Eles vão acampar em frente ao bloco do curso, a partir da próxima madrugada (dia
10, terça).
Foram 61 votos e nenhuma abstenção em favor da
paralisação.
Os alunos reclamam da escassez de recursos para
fins acadêmicos e pedem o afastamento imediato de um professor, acusado de
agredir um aluno. Reivindicam ainda a volta imediata da sala de campo para os
alunos do 5º ano, com suas devidas instalações e a compra imediata do ônibus
conforme fora solicitado na última ocupação da reitoria. Em 2007, a roda de um
veículo soltou e os alunos, que estavam em trânsito, correram risco de vida.
“Desde então, nada mudou”, lamenta Luana Soares, do DCE. “Na época, o DCE
solicitou um novo ônibus e a reitoria afirmou que ele estaria na garagem da UFMT
até 31 de dezembro de 2008. Mas o ônibus nunca chegou”. Os alunos também
denunciam que é precário o funcionamento do laboratório de informática e outros
laboratórios do curso. E que faltam inclusive materiais e equipamentos
necessários à aprendizagem. Com o protesto, esperam pressionar pró-reitorias em
favor da ampliação e compra de novos equipamentos. Os manifestantes tocam ainda
em um problema sério, que é o fato de alguns professores não cumprirem a carga
horária exigida.
Para marcar o primeiro dia de acampamento, o
diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), Juliano Godoi dará uma aula
magna no acampamento. O tema é “Movimento Estudantil”.
Manifesto
O Cematege, ao longo se sua história,
mostrou-se preocupado com a boa qualidade de ensino, visando uma boa integridade
junto ao seu corpo docente e administrativo. Diante disso, os discentes do curso
de Geologia juntamente ao Cematege, em discussões realizadas nesses últimos
dias, informam que estarão entrando em greve por tempo que será determinado pelo
comando de greve composto por alunos desse curso, bem como diversas entidades.
Sabemos que desde o Governo FHC, a Universidade Pública vêm
sofrendo com o sucateamento e a falta de investimento do Estado na educação, mas
diferente do que era esperado, esse sucateamento se aprofundou no governo Lula.
Em nossa universidade, no final do ano passado, foi aprovada
a adesão ao decreto do Governo Federal, o REUNI. Instrução dada pela
Administração Superior aos departamentos da UFMT e executada por “baixo dos
panos” no CONSUNI. Essa adesão arbitrária contrariou toda a comunidade
acadêmica, que reunindo seus três segmentos (estudantes, professores e técnicos)
havia se posicionado pela não adesão ao REUNI.
Com isso já se
pode observar, em curto prazo, os efeitos desse fato; o aumento de vagas não
acompanha proporcionalmente o aumento da qualidade do ensino e da
infra-estrutura (312 vagas são previstas para o campus Cuiabá). Na Geologia
sofremos a super lotação das salas de aula, acervos de livros defasados,
fechamento de bibliotecas setoriais por falta de técnicos, instrumentos
totalmente insuficientes para as aulas práticas e cortes de recursos destinados
à assistência estudantil e a extensão universitária.
Diante
desse contexto em que se encontra o curso de Geologia, bem como a UFMT, nós,
estudantes, solicitamos uma Assembléia Geral de Curso a ser realizada o mais
rápido possível, para que assim juntos possamos sanar todos os problemas.
As principais pautas de discussão dessa paralisação são
tratar assuntos como:
- Recursos para fins acadêmicos;
- Afastamento imediato do Professor Auberto José de Siqueira
junto ao seu respectivo departamento, por ele ter tentado agredir um aluno;
- A volta imediata da sala de campo para os alunos do 5º ano,
com suas devidas instalações;
- Compra imediata do ônibus
conforme fora solicitado na última ocupação a reitoria;
-
Funcionamento devido do laboratório de informática, como todos os programas
mínimos necessários para garantir o estudo e pesquisa;
-
Funcionamento e adequação dos laboratórios do curso e compra e de materiais e
equipamentos;
- Reivindicar junto às pró-reitorias
competentes, a ampliação e compra de novos equipamentos;
-
Solucionar os casos de professores que não tem cumprido com sua carga horária,
bem a sua dedicação a função em que foi determinada;
- A
unificação imediata dos departamentos DRM e DGG.