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Estrangeiras intensificam procura por petróleo no pré-sal
Por Nicola Pamplona
Rio - Petroleiras
estrangeiras com atuação no Brasil começam a
intensificar as buscas pelas reservas abaixo da camada de sal como
operadoras e líderes de consórcios, com ou sem a
participação da Petrobrás. Segundo especialistas,
os primeiros detalhes sobre volumes de reservas podem ser divulgados
ainda este ano. Apesar de a média de preço internacional
do barril de petróleo ter despencado desde meados do ano
passado, a aceleração dos investimentos parece confirmar
a viabilidade do pré-sal brasileiro.
Em parceria com a estatal
brasileira, duas estrangeiras - a portuguesa Galp e a britânica
BP - já haviam comemorado a multiplicação de seus
volumes de reservas. Agora, dois poços já sendo
perfurados no pré-sal sob o comando de multinacionais e a
expectativa é que pelo menos outras quatro
perfurações sejam feitas este ano.
O estágio atual
marca a segunda fase da atividade exploratória de multinacionais
no País, já com a perfuração dos chamados
poços de extensão, que têm como objetivo
dimensionar o tamanho dos reservatórios. Nesse caso,
enquadram-se os dois poços perfurados atualmente: Azulão
2, da americana Exxon, e Corcovado 2, da britânica BG, ambos na
Bacia de Santos.
"Já é uma
fase mais adiantada de exploração, em que as companhias
avaliam a extensão dos reservatórios", explica o
geólogo Giuseppe Bacoccoli, professor da UFRJ e
ex-funcionário da Petrobrás. "Há hoje uma
importante participação de companhias estrangeiras no
pré-sal, seja por meio de parcerias com a Petrobrás ou
como operadoras", comenta.
Azulão e
Corcovado, por exemplo, têm participação da
Petrobrás, mas são operados pelas estrangeiras. A
expectativa do mercado é que, com a conclusão dos
poços, as empresas já possam divulgar estimativas de
reservas, assim como fez a estatal ao fim do segundo poço de
Tupi. Exxon e BG anunciaram as primeiras descobertas nos blocos BM-S-22
e BM-S-52, respectivamente, este ano. Imediatamente, partiram para os
poços de extensão.
"Depois do poço,
vamos estudar os resultados e decidir a melhor maneira de continuar a
exploração", desconversou o diretor de Assuntos
Corporativos da BG no Brasil, Roberto Ardenghy. A companhia tem 40% do
BM-S-52, em águas mais rasas do que Tupi, e assumiu a
operação após acordo com a Petrobrás, que
liderava o consórcio da área, adquirida em leilão
da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A dupla tem
sociedade em algumas das descobertas do pré-sal das águas
ultraprofundas de Santos, incluindo Tupi e controla ainda outra
concessão em águas mais rasas, o BM-S-50, que deve ter um
poço perfurado este ano. A BG já declarou que o projeto
Corcovado tem potencial de reservas na casa dos bilhões de
barris.
A Exxon não tem se
pronunciado sobre o potencial do BM-S-22, mas especialistas acreditam
que o bloco é um dos mais promissores do pré-sal de
Santos. O presidente da Exxon, Rex Tillerson, afirmou que "não
há dúvidas do grande potencial do pré-sal", mas
ainda é cedo para qualquer projeção.
Um terceiro poço
de extensão de descoberta no pré-sal será
perfurado no fim do ano pela americana Anadarko, que anunciou no ano
passado a descoberta de reservatório abaixo do sal no norte da
Bacia de Campos. O diretor executivo da empresa no Brasil,
Cláudio Araújo, informou ao Estado que a
perfuração depende apenas de liberação,
pela Petrobrás, da sonda Deepwater Millenium, que está
sendo usada pela estatal em blocos na Bacia do Espírito Santo.
A companhia estuda ainda
a perfuração de um segundo poço na mesma
região, no bloco BM-C-32, com características semelhantes
às do Campo de Jubarte, onde saiu o primeiro óleo do
pré-sal brasileiro. A descoberta no BM-C-30, batizada de Wahoo,
foi a primeira do pré-sal feita sem participação
da Petrobrás e tem como parceiros a americana Devon, a canadense
Encana e a sul-coreana SK.
A anglo-holandesa Shell
pode ser a próxima estrangeira a operar poços no
pré-sal brasileiro. A companhia contratou uma sonda com
capacidade para atingir grandes profundidades e espera iniciar,
até o fim do ano, o trabalho no bloco BM-S-54, projeto batizado
de Epitônio. Na semana passada, o gerente da companhia, Kent
Stingl, disse ao Estado que a empresa também vai estudar a
perfuração de poços no pré-sal do norte da
Bacia de Campos.
Stingl é
responsável pelo projeto BC-10, batizado de Parque das Baleias,
que começa a produzir óleo do pós-sal no segundo
semestre. O bloco fica ao lado do Parque das Conchas, onde a
Petrobrás descobriu reservas no pré-sal. "Qualquer
empresa que tenha reservas no Brasil vai começar a olhar para o
pré-sal daqui em diante", diz o presidente da Chevron
África e América Latina, Ali Moshiri.
Fonte: Agência Estado
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