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Geólogo data nascimento do Amazonas
O rio Amazonas acaba de ganhar uma certidão de nascimento. Segundo ela, o
curso d'água mais volumoso da Terra nasceu há 11,8 milhões de anos.
A adolescência e a fase adulta do rio-mar também estão descritas no estudo,
publicado no periódico "Geology". Ele é assinado por Jorge Figueiredo, geólogo
da Petrobras que atualmente cursa doutorado na Universidade de Liverpool (Reino
Unido) e colaboradores.
Toda a história de vida do Amazonas está baseada em análises paleontológicas
(fósseis de animais e pólen) e de proveniência sedimentar, feitas em amostras
coletadas em poços perfurados no oceano Atlântico, na foz do rio.
De acordo com Figueiredo, existia um pequeno rio antes de 11,8 milhões de
anos, no período chamado pelos geólogos de Mioceno Médio (Na África, nessa
época, o gênero humano nem existia). Mas ele drenava apenas a parte oriental da
atual região amazônica.
Do lado ocidental, onde hoje estão o Peru, a Colômbia e os Estados do
Amazonas e do Acre, havia um tipo de pantanal, uma grande área inundada.
"Separando essas duas áreas existia uma região um pouco mais elevada que as
grandes planícies amazônicas, a oeste de Manaus", diz Figueiredo.
A situação, entretanto, começaria a mudar há 11,8 milhões de anos, diz o
geólogo. De um lado, por causa do aumento do manto de gelo na Antártida, o mar
começou a descer -uma queda de cerca de 120 metros em média em relação ao nível
atual. De outro, a poderosa cordilheira dos Andes exibia quase toda sua força,
elevando-se a alturas próximas das atuais.
Esses dois processos, que terminaram há aproximadamente 11,3 milhões de anos,
fizeram com que os lagos do lado oeste fossem conectados ao riozinho do lado
leste. O Amazonas, agora transcontinental, estava pronto para crescer e
aparecer.
Na infância do rio, entre 11,8 milhões e 6,8 milhões de anos, ainda havia um
número muito grande de lagos ao longo do Amazonas, cujo curso era sinuoso, como
o de vários rios pequenos da região hoje. Os sedimentos carregados pelas águas
do rio acabavam sendo depositados no continente.
Na sua adolescência, como os Andes subiram ainda mais, havia mais sedimento
para ser transportado. E eles começaram a chegar em maior quantidade ao oceano,
obliterando os lagos no caminho.
Há 2,4 milhões de anos o Amazonas entrou na fase adulta. O riacho cheio de
meandros de outrora tornou-se o rio mais caudaloso do mundo.
Cálculos do projeto Piatam (Petrobras) mostram que o rio lança todos os anos
no Atlântico 6,3 trilhões de metros cúbicos de água (16% de toda a descarga
mundial de água doce no mar) e 1,2 bilhão de toneladas de sedimento. É tanto
entulho que a foz do Amazonas pode até estar afundando poucos milímetros por
ano.
"Era sabido que a evolução do Amazonas dependeu do tectonismo [elevação] dos
Andes. O artigo científico, entretanto, apresenta uma idade mais fechada [para o
nascimento do rio]", diz Michel Mahiques, professor do Instituto Oceanográfico
da USP e especialista em oceanografia geológica.
Segundo Figueiredo, os dados atuais estão em desacordo com uma hipótese
levantada por outro grupo de pesquisa --a de que o rio Amazonas, há 5 milhões de
anos, corria ao contrário, do Atlântico para aquilo que começava a ser os
Andes.
Fonte: Folha ONLINE
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