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16/03/12
Governo intensifica pesquisa por terras raras na Região Amazônica
Programa nacional de sondagem sobre reservas de
minerais usados em aparelhos de alta tecnologia ganha fôlego em
Roraima e Amazonas
Por trás das telas dos tablets, smartphones e
notebooks há componentes de alto desempenho tecnológicos
produzidos com o uso de 17 minerais que formam um conjunto de
óxidos metálicos chamado terras raras. O insumo aplicado
em eletroeletrônicos de alto desempenho, como dispositivos de
misseis e circuitos de computadores, é alvo de uma disputa
acirrada entre China, Estados Unidos, Japão e União
Europeia deflagrada nesta semana na Organização Mundial
do Comércio (OMC).
É em meio ao contencioso diplomático que o Serviço
Geológico do Brasil (CPRM) intensificará no segundo
semestre duas pesquisas minerais para descobrir reservas desses insumos
nos estados de Amazonas, na região conhecida como Pitinga, e
Roraima, no entorno da área chamada de Repartimento.
“Vamos fazer uma amostragem geoquímica para ver o teor de
terras raras nessas regiões para montar um mapa com
informações sobre os resultados”, antecipa o
presidente do CPRM, Manoel Barretto.
A investida é parte do programa de nacional de minerais
estratégicos elaborado pelo Ministério de Minas e Energia
(MME) para avançar sobre insumos que o país depende de
importação, como o fosfato utilizado pela
indústria de fertilizantes.
Apesar de ter começado no ano passado, com orçamento de
R$ 18,5 milhões até 2014, o programa ganha corpo em 2012.
“O orçamento para terras raras nesse ano é de R$
1,35 milhão, mas se os resultados forem bons podemos deslocar
recursos de outros minerais. Podemos ir a R$ 4 milhões, R$ 5
milhões”, indica Barretto.
O CPRM detém o direito de exploração sobre as
áreas onde a pesquisa ocorrerá. O órgão
recolhe as informações e, no modelo vigente hoje, cede os
mapas geológicos a mineradoras interessadas em explorar os
recursos. Caso o novo código mineral seja aprovado, o CPRM deve
leiloar os mapas para empresas interessadas.
A mudança é vista como passo importante para
captação de recursos pelo órgão do MME,
cujo programa de estudos prevê o avanço sobre novas
áreas com potencial de incidência de terras raras.
“No ano que vem, vamos trabalhar em muitos mais
áreas”, comenta.
Posição ainda modesta
A intensificação das sondagens ocorre após o
Mineral Commodity Summary 2011, uma das publicações mais
importantes da geologia mundial, elaborada pelo US Geological Survey
(USGS – sigla do serviço americano de geologia), indicar o
Brasil como uma das possíveis novas fronteiras minerais com mais
de 52 milhões de toneladas de terras raras.
Por enquanto, os depósitos brasileiros somam 48 mil toneladas
comprovadas. A exploração é feita em baixa escala,
principalmente pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
“É cedo para falar em números, mas o potencial do
Brasil em terras raras é muito grande”, diz o presidente
do CPRM.
A China tem 55 milhões de toneladas em depósitos
comprovados, o que lhe garante entre 95% e 97% da
produção mundial. Em seguida estão países
da ex-União Soviética (19 milhões de toneladas),
Estados Unidos (13 milhões) e Austrália (1,6
milhão), cujos depósitos não foram explorados
devido ao alto custo ambiental e financeiro necessário.
Caso o CPRM comprove o potencial sugerido pela USGS, o Brasil pode
ocupar mais destaque no mercado de commodities. Pode ganhar
também um peso mais significativo na seara diplomática em
torno dos minerais cada vez mais rivalizados por países
postulantes a produtores de alta tecnologia, principalmente agora que a
demanda mundial coloca China, Estados Unidos, Japão e
União Europeia em uma disputa comercial por terras raras sem
precedentes. Além incrementar um incipiente e potencial consumo
interno com a chegada da produção do iPad pela chinesa
Foxcon.
Disputa diplomática
As terras raras ganharam os holofotes do noticiário global em
2011, após a China restringir a exportação do
insumo para o Japão.
A decisão de Pequim deflagrou um contencioso diplomático
na Ásia, agora com dimensão globalizada após os
Estados Unidos, a União Europeia e os japoneses acionarem a
Organização Mundial do Comércio (OMC) em processo
contra a China por reserva de mercado.
Logo após a decisão comunicada pelo presidente americano
Barack Obama nesta terça-feira, o governo chinês se
apressou em afirmar que o estabelecimento de cotas para
exportação atende é parte da política
interna “proteção ao meio ambiente e
desenvolvimento sustentável".
Pequim mantém para este ano a cota total de 30 mil toneladas
para exportação, mesmo volume do ano passado. “Para
nós, estas medidas [estabelecimento de cotas] estão de
acordo com as regras da OMC”, afirmou o porta-voz do
ministério das Relações Exteriores da China, Liu
Weimin.
O embate revela não somente o peso das terras raras para uma
economia cada vez mais dependente de equipamentos eletrônicos de
alto desempenho, mas principalmente a disposição da China
de concentrar em seu território a produção de
itens como os tablets.
Foi esse o argumento de Obama ao contestar a China, alegando interesse
em manter a produção desses produtos em seu
território. “Queremos as nossas empresas a produzir esses
produtos aqui nos Estados Unidos, mas para que isso aconteça os
nossos produtores têm que ter acesso às terras raras, que
a China fornece", afirmou o presidente americano. “Agirei quando
for necessário, se os nossos trabalhadores e as nossas empresas
estiverem sujeitas a práticas comerciais injustas”,
completou.
Vale estuda minerais
A Vale está flertando com o mercado de terras raras, como parte
de seu projeto para ampliar o peso de minerais mais rentáveis a
seu portfólio, concentrado em minério de ferro.
A mineradora Vale já anunciou a incidência de terras raras
em ativos comprados da Fosfértil e agora faz pesquisas para
medir se a incidência dos minerais em suas reservas de fosfato
é comercialmente viável.
A empresa não revela detalhes do estudo nem os valores
envolvidos na pesquisa. Para este ano, o plano de investimentos da
mineradora destina US$ 981 milhões para um programa global de
exploração mineral. A divisão de fosfato e
potássio, onde pode haver terras raras, recebe US$ 50
milhões.
Fonte: iG
Texto de Nivaldo S.
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