| A região do Marajó pode
ser a primeira região brasileira, em nível de
importância, com ocorrência de pérolas
naturais em água doce, abrindo perspectivas para
produção em massa de pérolas cultivadas para
exportação, abrindo um novo filão econômico
para o nosso Estado. As ostras que produzem uma
das pérolas mais desejadas pelas mulheres foi
confirmada pelos pesquisadores da Universidade
Federal do Pará (UFPa) que estudaram peças de
uma coleção particular. As pérolas que as
ostras produziram foram retiradas da baía do
Marajó, na confluência dos rios Tocantins e Pará. A pesquisa foi comandada
pelo geólogo especializado em mineralogia,
Marcondes Lima da Costa, que juntamente Hemult
Hohn, atualmente em Santa Catarina, publicou no
início deste ano um trabalho científico de análise
de 12 pérolas, emprestadas pela professora
Teresinha da Silva, publicadas na revista de
geologia Rem (revista Escola de Minas). Em
razão do clima tropical bastante favorável, o
Brasil e particularmente o Pará tem um grande
potencial para a produção das chamadas ostras
perlíferas, moluscos que só produzem pérolas
em condições de salinidade e temperatura muito
especiais. A água tem que ser límpida e livre
de predadores, coloca Marcondes.
De acordo com informações
publicadas na Rem, de 1992 a 1996, o comércio
internacional de pérolas movimentou US$ 3,7 bilhões.
As pérolas cultivadas responderam por
praticamente 90% do total da produção, no mesmo
período. Os países asiáticos forneceram 96% do
total dessas pedras. Japão e China são os
maiores produtores de pérolas cultivadas atualmente.
A criação de ostras perlíferas ainda é
incipiente no Brasil. Além do Pará, há relatos
de criação desse tipo de molusco no Estado de
Santa Catarina, que ainda não foram confirmados.
No Marajó ainda não há
cultivo oficial de ostras para a produção de pérolas.
Sabe-se apenas que os ribeirinhos comercializam
conchas (madrepérola) clandestinamente em Belém,
já que necessitariam de licença ambiental para
exploração de molusco. As madrepérolas podem
ser facilmente encontradas em feiras ao ar livre
e feiras de artesanato, como amontada aos
domingos na praça da República. As peças
vendidas nessa feira são simples, mas caso
recebessem um tratamento diferenciado, alcançariam
um valor alto em outros mercados, destaca.
Com a publicação, os
dois pesquisadores pretenderam chamar a atenção
para o potencial da baía do Marajó para o
cultivo de pérolas, sobretudo agora, quando o
governo do Estado pretende alavancar o programa pólo
joalheiro, cujas instalações no antigo presídio
São José serão inauguradas em setembro. O
Pará tem tradição mineral, com significativa
produção de ouro extração de pedras
preciosas, como ametista e topázio, e o pólo
viria a preencher uma lacuna de mercado,
analisa o pesquisador.
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