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GEONotícias - 2002 

31/08 - Pérolas do Marajó para exportação
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 A região do Marajó pode ser a primeira região brasileira, em nível de importância, com ocorrência de pérolas naturais em água doce, abrindo perspectivas para produção em massa de pérolas cultivadas para exportação, abrindo um novo filão econômico para o nosso Estado. As ostras que produzem uma das pérolas mais desejadas pelas mulheres foi confirmada pelos pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPa) que estudaram peças de uma coleção particular. As pérolas que as ostras produziram foram retiradas da baía do Marajó, na confluência dos rios Tocantins e Pará.

A pesquisa foi comandada pelo geólogo especializado em mineralogia, Marcondes Lima da Costa, que juntamente Hemult Hohn, atualmente em Santa Catarina, publicou no início deste ano um trabalho científico de análise de 12 pérolas, emprestadas pela professora Teresinha da Silva, publicadas na revista de geologia Rem (revista Escola de Minas). “Em razão do clima tropical bastante favorável, o Brasil e particularmente o Pará tem um grande potencial para a produção das chamadas ostras perlíferas, moluscos que só produzem pérolas em condições de salinidade e temperatura muito especiais. A água tem que ser límpida e livre de predadores”, coloca Marcondes.

De acordo com informações publicadas na Rem, de 1992 a 1996, o comércio internacional de pérolas movimentou US$ 3,7 bilhões. As pérolas cultivadas responderam por praticamente 90% do total da produção, no mesmo período. Os países asiáticos forneceram 96% do total dessas pedras. Japão e China são os maiores produtores de pérolas cultivadas  atualmente. A criação de ostras perlíferas ainda é incipiente no Brasil. Além do Pará, há relatos de criação desse tipo de molusco no Estado de Santa Catarina, que ainda não foram confirmados.

No Marajó ainda não há cultivo oficial de ostras para a produção de pérolas. Sabe-se apenas que os ribeirinhos comercializam conchas (madrepérola) clandestinamente em Belém, já que necessitariam de licença ambiental para exploração de molusco. As madrepérolas podem ser facilmente encontradas em feiras ao ar livre e feiras de artesanato, como amontada aos domingos na praça da República. “As peças vendidas nessa feira são simples, mas caso recebessem um tratamento diferenciado, alcançariam um valor alto em outros mercados”, destaca.

Com a publicação, os dois pesquisadores pretenderam chamar a atenção para o potencial da baía do Marajó para o cultivo de pérolas, sobretudo agora, quando o governo do Estado pretende alavancar o programa pólo joalheiro, cujas instalações no antigo presídio São José serão inauguradas em setembro. “O Pará tem tradição mineral, com significativa produção de ouro extração de  pedras preciosas, como ametista e topázio, e o pólo viria a preencher  uma lacuna de mercado”, analisa o pesquisador.


Fonte: Diário do Pará